sexta-feira, 17 de julho de 2015

Por que as pessoas me tratam assim?

Por que as pessoas me tratam assim?

Muitos são aqueles que se queixam por serem explorados seja no trabalho seja em casa, pessoas que reclamam por serem tratadas de maneira grosseira ou por ser a última a saberem das coisas. Existem ainda aquelas que sofrem com companheiros abusivos ou com pais controladores. Seja você respeitado ou aquele para quem ninguém liga, saiba que és o principal responsável por essa situação. Antes que você fique mais confuso ou comece a me xingar eu vou tentar explicar.



Somos programados para agir da maneira como agimos
Quando se aperta um interruptor de luz imagina-se que uma lâmpada irá acender ou apagar. Você não nasceu sabendo disso, na verdade deve ter aprendido vendo os adultos ao seu redor praticando tal ato, agora toda a vez que entra em uma sala que está escura a primeira coisa que faz é procurar um interruptor na parede. Ninguém se preocupa como o interruptor se sente ao ser apertado, apenas ele faça com que o ambiente se ilumine. Se tocar um interruptor e a luz não se acender após algumas tentativas provavelmente o sujeito desistirá de fazer isso e tentará outra coisa. 
  
Em Psicologia dizemos que a luz é o estimulo, ou seja, o prêmio recebido por se comportar de uma determinada forma (apertar o interruptor), quando não se ganha nada ao se agir de um certo um modo é menos provável que se volte a fazer isso. Assim uma criança que chora e recebe o que deseja do seus pais, descobre que o choro é o botão que precisa apertar para conseguir o que deseja dos seus genitores. Do mesmo modo o pai ou a mãe que cede a vontade da criança quando ela chora está na verdade reforçando o comportamento da criança de chorar quando tem alguma vontade.
Todo mundo possui um interruptor específico
Ao longo da vida vamos aprendendo como agir e como lidar com cada pessoa.  Vemos, por exemplo, que se com o pai podemos fazer manha e ele dá o que pedimos com a já mãe é diferente ele é mais rígida. Descobrimos que com certas pessoas não adianta discutir, é preciso falar com calma se não ela não irá ceder, já outras só cumprem a sua obrigação a base de muita briga. Quero com isso demonstrar que não agimos da mesma maneira com todas as pessoas, e cada indivíduo responde a nossas solicitações de uma forma diferente.

Leia também:
·       Saiba dizer não
·       Aprenda a impor-se
   
Qual é o seu interruptor?
Assim como as outras pessoas e estão mais propensas a ceder quando se age uma determinada forma você também está. E é desse modo que as pessoas em geral irão te tratar. Então se agem de maneira grosseira com você é por que descobriram que você cede sobre pressão, se fazem cara de dó é por que você é do suscetível a chantagem emocional. 

A imagem que você deseja passar
A forma como responde aos outros está diretamente relacionada a maneira como deseja ser visto (a). Se quer que todos te vejam como uma “menina boazinha” vai tentar ser prestativa e gentil o máximo que puder, se quiser ser interpretada (o) como “eficiente” vai fazer tudo o que lhe pedem com o máximo de perfeição e rapidez. 

É com essa máscara que está criando que as pessoas irão se relacionar, como a sua tentativa de criar uma imagem muda de ambiente para ambiente a forma como as pessoas te tratam também variam. Desse modo o empregado “capacho” que tenta satisfazer todas as vontades do chefe é mau tratado no serviço, porém em casa onde ele tenta ser mais firme para manter a ordem com os filhos ele é respeitado. 

Os acordos não falados
O modo como você interage com as pessoas determina em grande parte a forma que elas lhe tratam. Um exemplo que chega muitas vezes até mim é da mãe que se queixa que os filhos não ajudam na organização e cuidados da casa. Quando questionada se ela cobra que os filhos ajudem nas tarefas e se passa algum afazer para eles, costumo ouvir como resposta:

“Eu peço para eles fazerem as coisas, mas eles demoram tanto ou fazem mal feito, então eu prefiro fazer eu mesma”

Aqui acontecem dois coisas, a primeira é que essa mãe deixa aos seus filhos a mensagem de que o cuidado com a casa é obrigação dela e não responsabilidade de todos que habitam no mesmo lar. O segundo ponto é os filhos já perceberam que se não quiserem ajudar, basta fazer corpo mole que a mãe irá liberá-los da tarefa. Essa mãe nunca disse “só eu sei e posso cuidar dessa casa”, mas as atitudes dela acabam deixando claro esse acordo entre os que moram na casa. 

O que você ganha com isso?
Você não age assim gratuitamente, se comportando desse modo recebe alguma coisa de volta, caso contrário já teria mudado as suas atitudes:

·       Talvez só queira evitar conflitos, por ter medo de brigas e discussões.
·       Tente fazer com que o outro sejam dependente e não possa te abandonar. A mãe do exemplo acima pode gostar de repetir “nenhuma esposa irá fazer isso por você” e desse modo segura os filhos mais tempo dentro de casa.
·       Se faça de vítima e ganhe o acalanto de terceiros. Certas pessoas gostam da sensação de serem coitados e ser defendidos por alguém.
·       Tenha a sensação de ser fundamental em sua casa ou trabalho. Ser admirado faz parte das necessidades humanas. 
·       Manter o emprego ou função como o caso do empregado capacho.

Inúmeras são as possibilidades e apenas uma autoanálise profundamente crítica pode revelar isso.
Como mudar essa situação?

Aceite as consequências
Como já dissemos as suas atitudes podem estar lhe causando problemas, porém por outro lado elas te trazem benefícios e evitam determinados tipos de sofrimento. Com isso, assim que mudar seu jeito de ser terá complicações que antes não existiam, por essa razão precisará aceitar sua nova condição e aprender a desenvolver estratégias para lidar com ela caso o contrário irá desistir e voltar a fazer o que está acostumado.


Seja persistente
Demora até que os outros percebam o quanto você mudou, por muito tempo eles continuaram te tratando do mesmo modo que sempre fizeram.
 Voltando a analogia do interruptor, costuma-se apertar um botão diversas vezes e como força e velocidades diferentes até se aceitar que ele realmente não funciona mais.
Assim verá as pessoas ficando nervosas e sendo persistente até que elas desistam ou comecem a lhe tratar de uma forma diferente. 


Leia também
·       Saia da depressão
·       Como superar a ansiedade
·       Aprenda a perdoar

Mude de dentro para fora
É necessário querer deixar de ser a “menina boazinha” que precisa agradar todo mundo ou o “arrimo da família” que resolve os problemas sozinho.  Apenas agir de outo modo sem mudar internamente torna o seu comportamento frágil e superficial.

Você vai falhar, mas continue tentando
Uma mudança verdadeira demanda tempo, então é provável que você vacile e volte a ser o mesmo (a) de sempre de vez em quando, isso é esperado, o que não deve acontecer é desanimar e desistir da mudança.  

terça-feira, 14 de julho de 2015

Falar demais sobre experiências ruins pode piorar problemas



Texto

Reclamar diversas vezes do mesmo assunto pode levar a um quadro de depressão, dizem especialistas

Getty Images
Desabafar é bom, mas remoer os problemas não ajuda
Foi traída pelo marido? Aquele chefe chato não larga do seu pé? Perdeu um ente querido? Todos os exemplos citados são motivos legítimos para correr e desabafar com as amigas ou com a família. Mas é preciso prestar atenção se estas “reclamações” não estão ocorrendo de forma extremamente repetitiva. Remoer e reviver os problemas não é saudável para a saúde mental de ninguém. Pode levar a transtornos graves que devem ser tratados por especialistas.
Veja também:
Volta das férias causa depressão e até dói
Fofocar faz bem (para o fofoqueiro)
E quando a invejosa sou eu?

“A pessoa que passou por uma situação difícil estará revivendo este momento todas as vezes que contá-lo a alguém. Ela poderá ter mudanças emocionais e neuroquímicas importantes como uma liberação em maior quantidade de adrenalina e cortisol, o que pode contribuir para o aparecimento de um quadro depressivo”, explica a psicóloga da Santa Casa de São Paulo Roseli Lage de Oliveira.
O neurologista e diretor clínico do Hospital Santa Virgínia Moacyr Bustamante explica que depressão é doença e deve ser encarada como tal. “A depressão é uma doença grave que precisa ser tratada com remédios por um médico e com psicoterapia pelos profissionais habilitados. Ainda existe muito preconceito quando falamos neste assunto. O deprimido muitas vezes é julgado pela sociedade”, diz.
Além da depressão, outros transtornos emocionais podem surgir. “Viver diversas vezes a mesma situação ruim pode causar melancolia, ansiedade e, até mesmo, dores de cabeça. O emocional chega a afetar a saúde do corpo”, afirma a psicóloga Daniela Mafra de Oliveira.
Ver sempre o lado negativo
“É preciso ficar claro que nem sempre desabafar com pessoas queridas é ruim. Ter amigos e compartilhar nossas vidas com pessoas que amamos é extremamente benéfico”, ressalta Daniela.
É preciso ficar atento, porém, para perceber quando a pessoa passa de uma interação social saudável para uma excessiva repetição das mesmas lamentações. “Não é apenas a freqüência que vai indicar que a pessoa não para de remoer os problemas. Também é necessário observar como a situação é encarada. Pessoas que só conseguem ver o lado negativo dos fatos, muitas vezes, se enquadram neste padrão”, observa Roseli.
“Uma pessoa que fica remoendo os problemas desenvolverá a depressão se já tiver uma tendência para isso. Nem sempre isso acontece. Mas é um sinal importante da doença e é preciso ficar alerta”, afirma Moacyr.
Amigos podem atrapalhar
“Os amigos ou familiares, às vezes, não conseguem ver o lado bom daquela situação ruim que o outro está vivendo. Ao contrário do profissional que tem como missão oferecer uma perspectiva mais positiva sobre o que aflige a pessoa”, pontua Daniela.
Roseli lembra que amigos e família ficam muito envolvidos com a história contada. Ela diz que profissionais treinados para lidar com este tipo de pessoa têm o distanciamento necessário para poder enxergar o problema com a dimensão que ele realmente deve ter. É muito comum que quem revive seus problemas a todo momento não consiga ver uma saída. “É aí que o trabalho do profissional faz toda a diferença”, completa.
Publicidade
“Um amigo pode ajudar quando encaminha ou encoraja um deprimido a procurar ajuda. Dar conselhos como ‘compre uma roupa nova’ ou ‘saia mais de casa’ não resolve. Só quem vai conseguir fornecer tratamento e conselhos adequados aos que sofrem de depressão são os médicos e os psicoterapeutas”, afirma Moacyr.

Isolamento social

“Pessoas que reclamam o tempo todo acabam provocando o afastamento dos que convivem com elas. Ouvir problemas dos outros pode ser penoso muitas vezes. Amigos e família acabam se esgotando mentalmente com tantas lamentações”, diz Daniela.
Para conseguir deixar para trás a tendência de remoer demais os problemas, os profissionais ensinam que atividades prazerosas devem ser praticadas, como ouvir música ou ler um livro. Outro conselho unânime entre os especialistas consultados: manter-se ocupado. Uma boa alternativa é o trabalho voluntário. “Além de ajudar quem precisa, conseguimos nos distrair de nossos próprios problemas”, ensina o neurologista.